title: "Ecos de um Futuro Impossível" date: "2026-10-10" arc: "ENTRE JORNADAS" description: "Uma nevasca inexplicável traz à taverna um enorme homem-tigre à procura de Geralt. Enquanto o grupo se divide entre a forja e Euclix, uma mensagem alcança um Astel que aparentemente já vive no Bastion, e um antigo livro de magia planar revela uma ligação inesperada com Poppe." cover: "" ---
Contexto
Depois dos acontecimentos recentes em Valcinzento, o grupo estava reunido numa taverna, preparando-se para encerrar suas pendências naquela região e regressar ao Bastion. Ainda precisavam recuperar os equipamentos confiados à ferreira, reencontrar alguns aliados e decidir o que fazer com a floresta corrompida. Dandelion, por sua vez, já havia transformado três goblins em companheiros inseparáveis — um detalhe que prometia complicar qualquer plano de viagem.
A noite em que o inverno chegou
Duas moedas e uma preocupação antiga
Allya aproveitou o momento em que todos estavam juntos para contar sobre seu encontro com Leonard. Ele havia aparecido novamente, afirmando estar à procura de coisas para o homem a quem servia, e deixara duas moedas. Uma delas trazia, de um lado, um símbolo relacionado à guilda de Raphael; os outros símbolos não eram idênticos, tornando difícil determinar exatamente o que representavam. Screaky guardou a moeda e recebeu a notícia com evidente desconfiança, sobretudo por envolver um empregador ainda pouco conhecido pelos presentes.
O assunto trouxe de volta uma série de inquietações. Astel quis saber se Leonard ainda guardava ressentimentos da conversa difícil que tiveram em Euclix, quando tocaram em questões de seu passado. Não havia resposta segura, embora fosse um alívio saber que ele estava vivo. Também ficou claro que a guilda de assassinos associada a Raphael permanecia uma organização discreta, longe de ser conhecida publicamente como outras forças do submundo. As moedas, com seu símbolo próprio, eram uma pista concreta, mas não uma explicação.
Naquela noite, os planos pareciam simples: descansar, verificar se as armas estavam prontas, buscar a salamandra e reencontrar a senhora da taverna e seu filho antes de partir. Noah, porém, fez questão de lembrar que a floresta continuava corrompida. Não queria abandoná-la definitivamente. Screaky e Allya reconheceram a preocupação, mas insistiram na necessidade de preparação: o grupo não tinha condições de regressar de maneira precipitada, como fizera antes.
Em meio a essas conversas, Astel e Dandelion retomaram uma colaboração musical. O paladino queria trabalhar numa canção dedicada a Orfina, adaptando uma composição e ensaiando os acordes de um instrumento que Dandelion lhe ensinava a tocar. O bardo, mais entusiasmado do que nunca com suas apresentações, ainda tinha projetos muito maiores para os três goblins que o acompanhavam. Entre versos, notas e planos de palco, a noite avançou.
O frio que não devia existir
O primeiro sinal surgiu discretamente. Dandelion começou a sentir um frio cada vez mais intenso, mesmo enquanto escrevia e ensaiava sua música. Astel, percebendo o desconforto do amigo, colocou um cobertor sobre seus ombros. Então a neve começou a acumular-se do lado de fora da janela.
A mudança era brusca demais. Noah, que estudava em seu quarto, decidiu investigar. Conjurou Detect Magic e percebeu uma presença mágica intensa nas proximidades. Quase ao mesmo tempo, o vento começou a assobiar pelas frestas da taverna. O garoto correu para avisar Allya e Screaky e, em seguida, foi procurar Astel e Dandelion. As armaduras voltaram a ser vestidas às pressas, enquanto todos desciam para junto da lareira.
Os goblins, tão despreparados quanto os demais para o frio, tiveram sua própria ideia de sobrevivência: acender uma pequena fogueira dentro do quarto. Noah apagou as chamas imediatamente, antes que os novos companheiros de Dandelion incendiassem a construção. Na sala principal, a dona da taverna e seu filho também tentavam manter a todos aquecidos. Do lado de fora, o frio continuava a crescer.
Foi então que ouviram alguém. A voz parecia vir de um anão, ou ao menos soava como um idioma que a maioria não compreendia. Noah aproximou-se para investigar e abriu a porta apenas o suficiente para olhar lá fora.
Não encontrou um anão.
Encontrou um enorme homem-tigre, uma criatura licantropa maior do que a própria entrada da taverna. A neve cobria o chão ao seu redor e o visitante parecia lutar para controlar a própria fúria. Assustado, Noah voltou a fechar a porta e alertou Allya por telepatia. Ela escutou com atenção e percebeu que a criatura estava sozinha, mas perigosamente próxima de perder o controle.
O visitante avançou. Uma de suas patas atingiu a parede ao lado da entrada com força suficiente para fazer toda a construção tremer. Depois vieram batidas pesadas na porta — aparentemente a tentativa mais delicada de chamar que uma criatura daquele tamanho conseguia fazer.
O homem-tigre que procurava Geralt
Astel terminou de equipar-se e assumiu a frente, com escudo e espada. Quando a criatura repetiu o nome de Dandelion, ficou evidente que não estava ali por acaso. O paladino abriu a porta com cautela, mantendo o escudo pronto, e tentou conversar. O homem-tigre, curvado sob um batente pequeno demais para seu corpo, tinha as garras recolhidas. Apesar da aparência ameaçadora, não parecia disposto a atacar.
Sua capacidade de falar Comum era extremamente limitada. Repetia nomes e fragmentos de frases, até que o grupo conseguiu identificar duas referências: Geralt e Kaer Morhen. Dandelion reconheceu imediatamente os nomes. Havia viajado com Geralt no passado, cantado suas façanhas e prometido ajudá-lo — promessa que continuava por cumprir. O encontro com o homem-tigre reabriu uma pendência antiga que o bardo preferia não enfrentar tão cedo.
A comunicação avançou aos tropeços, com gestos, palavras soltas e tentativas em diferentes idiomas. Quando Allya descobriu que o visitante conseguia falar um pouco de Dracônico, tornou-se a principal intermediária. Ele indicava que precisava de Geralt e parecia associar Kaer Morhen à solução do problema que o atormentava.
A situação mudou de tom quando Allya mostrou ao desconhecido a marca de sua própria licantropia. A criatura recuou, ajoelhou-se e fez uma reverência profunda. Depois, quis saber como ela conseguia manter o controle de sua transformação. Allya tentou explicar que havia passado por treinamento, embora a barreira linguística limitasse a conversa. Aquele gesto de reconhecimento, seguido de um aperto de mão cuidadosamente adaptado ao tamanho de suas garras, reduziu a tensão entre eles.
Dandelion também recordou uma parte dolorosa de seu passado com Geralt. Em uma tentativa anterior de reencontro, Geralt lhe respondera com frieza: Dandelion já o havia deixado morrer uma vez e sua confiança nos bardos estava abalada. O homem-tigre chegava, portanto, num momento em que o grupo ainda não havia reparado essa relação.
A magia de Noah e a maldição incompleta
Noah ofereceu ajuda. Aproximou-se com receio, tocou a marca do licantropo e conjurou Greater Restoration, tentando devolver-lhe parte do controle que a maldição parecia ter roubado.
O efeito foi visível e doloroso. A criatura contraiu o corpo, cerrou as mandíbulas e resistiu ao sofrimento enquanto diminuía de tamanho. Sua forma tornou-se mais controlada, próxima da estatura de Allya. Ao mesmo tempo, a nevasca começou a cessar e a neve ao redor derreteu. A coincidência reforçou a suspeita de que o fenômeno climático estava ligado à transformação do visitante.
Mas a magia não removeu a maldição. Allya avaliou que ele podia voltar à forma descontrolada a qualquer momento; não era possível prever se isso aconteceria em minutos, horas ou dias. O próprio visitante indicou que Geralt saberia o que fazer. O grupo tinha, portanto, um rumo, mas não uma cura.
Decidiram hospedá-lo naquela noite, em vez de deixá-lo desamparado ou permitir que se aproximasse de uma cidade em estado de fúria. Na manhã seguinte, o problema retornou: Astel viu a neve de novo e descobriu que o homem-tigre havia recuperado sua forma maior. Chamou Noah, que conjurou Greater Restoration mais uma vez. A criatura voltou a um estado controlado, mas o risco de uma nova transformação permaneceu.
Diante disso, a urgência aumentou. Não seria prudente arrastá-lo por uma longa viagem enquanto outras pessoas poderiam ficar em perigo. A solução seria levá-lo até Euclix, onde Screaky tinha acesso aos portais capazes de alcançar outros planos.
Dois caminhos para a mesma partida
O plano de separar o grupo
Pela manhã, os companheiros concordaram em dividir as tarefas. Screaky, Allya e Noah levariam o homem-tigre até Euclix e tentariam enviá-lo ao continente onde ficava Kaer Morhen. A presença de Allya seria importante por seu conhecimento da licantropia; a de Noah, pela magia capaz de estabilizar o visitante; a de Screaky, por seu acesso à cidade e à rede de portais.
Astel e Dandelion seguiriam para a forja escondida na floresta, recuperariam a foice e as faixas monásticas de Screaky e depois procurariam a salamandra e os aliados que ainda precisavam ser acompanhados até o Bastion. O plano era reunir todos novamente, usando as pedras de comunicação para coordenar os movimentos.
Antes da separação, Astel conjurou uma prece de cura para ajudar Noah a recuperar suas forças mágicas. O garoto partiu com a responsabilidade de manter o visitante sob controle caso a maldição se agravasse outra vez.
Três goblins, três bolinhas
Restava um problema de transporte: os três goblins que Dandelion insistia em levar para todos os lugares.
O bardo tentou organizar seus pequenos companheiros em formação, com comandos próprios e gestos que nem todos compreendiam. Quando a discussão sobre como carregá-los parecia caminhar para soluções ainda mais absurdas, os próprios goblins demonstraram uma habilidade inesperada. Depois de se concentrarem intensamente, os três se transformaram em pequenas esferas, pouco maiores que bolinhas de gude, cada uma preservando traços que permitiam distingui-los.
Encantado, Dandelion transformou imediatamente a descoberta num número de malabarismo: lançou as três esferas ao ar e as recolheu no bolso com a naturalidade de quem acabava de ganhar um novo truque de palco. O exército goblin, por enquanto, não precisaria de carroça.
Euclix, coroas e portais
O mago de pijama e os cálculos que ninguém compreendia
Screaky guiou Allya, Noah e o homem-tigre até a casa do excêntrico mago responsável por trazê-los àquele plano. O homem continuava tão desorganizado quanto imprevisível: confundia nomes, chamava pessoas diferentes de Astel ou Dandelion, oferecia café em meio à bagunça e parecia ter muito mais confiança nos próprios experimentos do que seria sensato.
Ao compreender que precisavam voltar a Euclix, começou a consultar livros e diagramas de magia planar. Noah reconheceu parte dos princípios envolvidos, especialmente os relativos à orientação e ao deslocamento pelo Plano Astral, mas encontrou elementos que não se encaixavam em nenhuma teoria que conhecia. Screaky, acostumada à navegação, percebeu outro problema: alguns movimentos descritos nos diagramas seriam impossíveis para uma embarcação comum sem destruí-la.
O mago admitiu não compreender completamente certos componentes das fórmulas. Ainda assim, já havia empregado parte daquele conhecimento para transportar o grupo antes. Entregou dois livros para que Noah e os companheiros tentassem estudar o que ele próprio não conseguia explicar.
Depois de espalhar símbolos e cálculos pela mesa, começou o ritual. Diferentemente dos conjuradores conhecidos por Noah, o mago pronunciava números durante a magia. Os diagramas ganharam profundidade, ergueram-se ao redor dos viajantes e pareceram puxá-los para baixo. Instantes depois, os quatro surgiram no centro de Euclix.
A rainha regressa ao trono
Screaky reconheceu a cidade e recebeu contato de seu pai, que a orientou até uma passagem. A porta comum de uma construção abriu-se para revelar um portal; do outro lado estava o salão do trono. Assim que Screaky entrou, os presentes se curvaram e saudaram sua majestade.
Para Noah e Allya, foi a confirmação de que as brincadeiras sobre a posição de Screaky tinham um fundamento bastante real. Seu pai estava no trono, cercado por conselheiros e candidatos a assumir responsabilidades no governo. Retirou a coroa e a entregou à filha, lembrando que estava envelhecendo e que ela precisava decidir quem conduziria Euclix durante suas ausências.
Entre os possíveis candidatos, Screaky reconheceu um homem que havia liderado a resistência contra os Zhentarim. Outros defendiam projetos importantes para a cidade, como modernizar sua administração ou melhorar o sistema de portais, mas aquele antigo combatente representava algo que ela valorizava: alguém do próprio povo que já havia arriscado a vida por Euclix.
Screaky não decidiu tudo imediatamente. Primeiro precisavam resolver o problema urgente que os levara até ali.
A passagem para Kaer Morhen
Dandelion havia desenhado um mapa surpreendentemente preciso, indicando como o homem-tigre poderia chegar à região de Kaer Morhen a partir de uma cidade do continente correspondente. O desenho não resolvia sozinho a travessia entre planos, mas permitiria ao viajante orientar-se depois de alcançar o ponto de partida correto.
Screaky localizou um portal adequado, situado na parte mais nobre de Euclix. Seu uso normalmente teria um custo elevadíssimo, na ordem de 20 mil peças de ouro. Na condição de rainha, porém, conseguiu conduzir o visitante até os guardas responsáveis e solicitar sua ativação.
As lanças dos guardas energizaram a passagem. Antes de partir, o homem-tigre agradeceu em Dracônico. Despediu-se de Allya com um aperto de mão, recebeu de Noah votos de que encontrasse uma cura e seguiu sozinho através do portal. Sua despedida foi respeitosa; o que o aguardava do outro lado continuava desconhecido.
Uma decisão para Euclix
Resolvida a travessia, Screaky voltou ao castelo para discutir seu governo. Conversou particularmente com o antigo líder da resistência, que parecia deslocado entre as formalidades da corte. Ele próprio tinha dificuldade em imaginar-se como rei e temia a reação dos nobres.
Screaky demonstrou confiança nele. Preferia alguém que tivesse defendido a cidade, compreendesse seus habitantes e soubesse proteger-se, em vez de entregar o poder apenas a quem dominava a linguagem dos salões. Os dois concordaram que o passado de domínio dos Zhentarim não poderia repetir-se. O candidato, aliviado e entusiasmado, chegou a pedir apenas uma coisa: poder trocar as roupas nobres por vestes mais próximas das que realmente gostaria de usar.
A escolha ficou encaminhada para que ele assumisse o governo na ausência de Screaky. Ela tratou com o pai das formalidades e do anúncio, sem que a cerimônia fosse encenada em detalhe, e organizou o que precisava antes de partir. Também aproveitou o acesso da coroa para guardar rotas importantes entre Euclix, o plano de onde o grupo viera, Greyhawk e os caminhos próximos do Bastion. Por fim, deixou a coroa sob os cuidados do pai para a continuidade do processo.
Noah encontra uma biblioteca digna de se perder
Enquanto isso, Noah recebeu permissão para visitar a biblioteca reservada aos governantes. O acervo era enorme, com volumes que ele nem sequer vira em Strixhaven. Fascinado, passou horas lendo os tratados oferecidos pelo mago e procurando referências à magia natural, à corrupção e ao misterioso Jardineiro.
Não encontrou uma explicação para o que o grupo vira na floresta, mas descobriu descrições de práticas druídicas que reconhecia por experiência, ainda que nunca as tivesse visto organizadas daquela forma. Folheou livros sobre manipulação de plantas, ciclos naturais e outros temas, acumulando mais material do que conseguiria estudar naquele dia. Allya e Screaky precisaram procurá-lo, encontrando-o completamente absorto entre os volumes.
Screaky autorizou Noah a levar alguns livros emprestados. A permissão tinha um peso especial: eram obras de uma biblioteca à qual nem mesmo os conselheiros tinham livre acesso. O garoto abraçou os livros e prometeu cuidar deles e devolvê-los.
A forja que ficou silenciosa
A ausência da ferreira
Longe dali, Astel e Dandelion atravessaram a floresta e chegaram à forja onde haviam deixado seus equipamentos. Encontraram um silêncio estranho. Não havia chamas, barulho de martelos ou sinal da ferreira.
As armas, entretanto, estavam prontas, cuidadosamente dispostas sobre uma bancada quase como peças de exposição. A foice de Astel conservava sua identidade, mas exibia detalhes novos e uma energia perceptível. As faixas de Screaky, antes simples e desgastadas, também tinham sido profundamente transformadas.
Sob uma garrafa havia uma carta selada. A ferreira explicava ter terminado o trabalho com grande esforço, agradecia ao grupo e pedia desculpas pela demora. Não dizia para onde fora. O pó acumulado e a impressão de abandono inquietaram Astel: do ponto de vista do grupo, não deveria ter transcorrido tanto tempo desde a última visita. Por que a forja parecia vazia havia muito mais tempo?
A foice e as asas de corvo
Quando Astel se aproximou, ouviu uma voz feminina vinda de sua foice, reconhecendo seu regresso. Ele tentou chamá-la de volta à mão, como fazia antes. A arma desapareceu da bancada numa dispersão de penas e reapareceu em sua mão.
Dandelion viu algo mais: duas enormes asas de corvo abriram-se às costas de Astel. As penas desceram e ganharam um aspecto quase metálico, acompanhando a transformação da arma e de seu equipamento.
A foice estava muito melhor equilibrada. A empunhadura parecia ajustada com exatidão à maneira como Astel a utilizava, permitindo movimentos mais naturais e até sugerindo maior facilidade para manejá-la com uma mão. Quando a guardou nas costas, a arma pareceu integrar-se às roupas, tornando-se quase impossível de retirar por outra pessoa.
Astel admirou o trabalho, mas não pôde agradecer pessoalmente à ferreira. Restava a carta — e a pergunta sobre o que acontecera com ela.
O peso das faixas de Screaky
Ao recolher as faixas de Screaky, Astel encontrou outra surpresa. O tecido parecia pesar como correntes. Embora pudesse ser enrolado e transportado, sua resistência era desproporcional ao que aparentava. Ele e Dandelion precisaram tratar o objeto com cuidado, imaginando como a monja conseguiria usá-lo.
A resposta viria apenas no reencontro: para Screaky, legítima portadora, o peso simplesmente não se manifestaria da mesma maneira.
Depois de recuperar os itens, a dupla procurou a salamandra que havia prometido levar consigo. Sem um idioma comum, Astel recorreu aos gestos; o entendimento foi rudimentar, mas suficiente. A criatura acompanhou os aventureiros de volta à taverna, onde se juntaram a Tobias e à sua mãe, Marta, para preparar a partida.
A tentativa de avisar Allya usando as pedras de comunicação, contudo, falhou. Aquilo parecia apenas um problema inconveniente. Não demoraria para ganhar outro significado.
Uma voz de outro momento
A conversa com um Astel que já estava em casa
De volta à biblioteca de Euclix, Allya decidiu entrar em contato com Astel para saber como estavam as tarefas na forja. A comunicação aconteceu — mas a resposta não correspondia ao que o grupo esperava.
Astel parecia surpreso com a chamada. Afirmou estar no Bastion, junto da família, cuidando de assuntos cotidianos. Falava das crianças, de Hati e das confusões envolvendo fogo, além de mencionar que encontraria Dandelion mais tarde para jantar. Quando Allya perguntou sobre os equipamentos, respondeu que a foice e as faixas já haviam sido recuperadas e entregues havia muito tempo.
Para Allya, Screaky e Noah, a separação do grupo acontecera pouco antes. Astel e Dandelion deveriam estar na forja ou voltando dela. Mas a voz do outro lado da comunicação descrevia um momento posterior, no qual os acontecimentos que ainda estavam em curso já tinham passado.
A conversa terminou sem explicação. Pela perspectiva de quem estava em Euclix, parecia que a mensagem alcançara um Astel do futuro.
Screaky lembrou-se de experiências anteriores envolvendo diferenças na passagem do tempo entre planos. Noah e Allya voltaram a pesquisar, buscando livros sobre distorção temporal e formas de viagem através do tempo. Encontraram referências a magias desse tipo, mas nenhuma correspondia de modo convincente aos diagramas dos tomos recebidos do mago. A hipótese de uma simples viagem temporal não explicava tudo.
A cidade que envelheceu
Screaky concluiu os preparativos do governo e conduziu Allya e Noah de volta, por portal, ao plano em que haviam deixado Astel e Dandelion. Quando chegaram, reconheceram a cidade — mas ela não era mais a mesma.
Algumas construções estavam maiores, outras pareciam antigas, e a população tinha uma composição diferente da que conheciam. A cidade aparentava ter se desenvolvido e envelhecido. Era o mesmo lugar no mapa, mas não o mesmo lugar na memória deles.
Noah examinou novamente os tomos. A conversa com Astel e as mudanças da cidade sugeriam uma alteração temporal, porém os cálculos do livro continuavam a apontar para algo diferente do que ele conhecia como magia do tempo. A contradição tornou-se ainda mais preocupante quando o grupo procurou a antiga casa do mago.
Os descendentes do mago e o nome de Poppe
Onde antes encontraram a residência caótica de um feiticeiro de pijama, havia agora uma casa muito mais arrumada, ocupada por outras pessoas. Um garoto de óculos abriu a porta e chamou o pai, um homem de cartola e bigode.
Nenhum deles reconheceu os visitantes. Quando Noah descreveu o mago que conhecera, souberam dizer apenas que alguém com aquele nome pertencera à história antiga da família: um de seus patriarcas, de muitas gerações anteriores.
Noah testou o alcance daquela mudança perguntando por Thalindra e Poppe. O garoto sabia da antiga princesa, enquanto o pai explicou que Poppe era um nome proibido, associado ao desaparecimento de Thalindra e a uma ferida que a cidade ainda carregava. O caso parecia pertencer à história distante daquele mundo.
Por fim, Noah mostrou um dos livros de magia planar que recebera do mago. O pai não conseguiu compreendê-lo, mas o garoto examinou o conteúdo e reconheceu algo decisivo: segundo ele, aquela magia havia sido criada por Poppe.
Isso não esclarecia por que o feiticeiro antigo possuía os tomos, nem como a magia alterara a experiência dos viajantes. Tornava, porém, impossível ignorar a ligação entre os deslocamentos planares e o nome de alguém que já interferira tantas vezes no destino do grupo.
Ao saírem, os três precisaram reconsiderar tudo: tinham visto o futuro? Havia outra diferença de tempo entre planos? Por que a conversa com Astel sugeria uma separação relativamente recente, enquanto os habitantes daquela cidade falavam de muitas gerações? Nenhum deles tinha uma resposta segura.
O reencontro e os caminhos seguintes
Dois grupos, novamente no mesmo lugar
Enquanto Screaky, Allya e Noah procuravam uma rota de regresso, Astel e Dandelion também foram à casa do mago, acompanhados de seus novos companheiros. O feiticeiro continuava confundindo os nomes dos visitantes, oferecendo seu café duvidoso e tratando as viagens entre planos com uma desenvoltura desconcertante.
Quando soube que queriam encontrar o restante do grupo em Euclix, preparou outro ritual. Astel foi buscar Marta, Tobias e a salamandra, enquanto Dandelion permaneceu com o mago — e descobriu, da maneira menos agradável, que o pó usado para fazer café não era algo que se devesse aspirar pelo nariz.
O ritual levou a comitiva até Euclix. Pouco depois, Astel e Dandelion avistaram Screaky, Allya e Noah apressados pelas ruas da cidade. Noah correu para abraçar Astel, aliviado. Para o paladino, a reação parecia exagerada: ele apenas havia cumprido as tarefas combinadas.
Screaky tentou explicar. Eles haviam ido à casa do mago, chegado a Euclix, regressado a uma cidade que parecia estar no futuro e conversado com um Astel que já estava no Bastion. Astel, confuso, quis saber se estava tudo bem com ela. A comunicação pelas pedras, que falhara antes, voltou a funcionar naquele momento, mas isso não resolveu o mistério do contato anterior.
As faixas que contam uma vida
Astel entregou as faixas recuperadas a Screaky. Ao tocá-las, ela percebeu que a ferreira fizera muito mais do que reforçar um equipamento de combate. O tecido estava restaurado e coberto de mantras e ensinamentos monásticos: referências a Leonard, aos outros monges com quem Screaky aprendera e ao que ela própria transmitira a Hati. As inscrições pareciam contar sua trajetória.
Uma voz feminina, audível apenas para Screaky, reagiu ao contato, como se reconhecesse as mãos que a seguravam. A monja ficou surpresa por ouvir suas faixas falar. Astel, que havia acabado de reencontrar uma foice igualmente falante, pareceu considerar aquilo mais uma das muitas estranhezas da vida do grupo.
Havia ainda o peso. Quando Astel a transportava, a faixa parecia uma corrente pesada; nos braços de Screaky, era leve e natural. Ao vesti-la, ela experimentou os movimentos, impressionada com o resultado. Não era apenas uma arma melhorada: era um objeto que carregava sua história e respondia à sua presença.
Uma nova separação à vista
Com todos reunidos, o grupo decidiu seguir em direção à região do Bastion, mas já organizou seus próximos passos. Astel, acompanhado de Allya, Dandelion, Tobias, Marta e da salamandra, seguiria até a cidade próxima à companhia de mercenários onde havia treinado no passado, para encaminhar os aliados que precisavam ficar ali. O nome exato da cidade não foi confirmado durante a sessão.
Screaky e Noah seguiriam para o Bastion. Noah ainda tinha livros a estudar, e Screaky voltava com novas responsabilidades, novas faixas e um mistério que atravessava a própria noção de tempo.
A sessão terminou antes de qualquer um desses novos trajetos ser interpretado. O grupo havia resolvido a situação imediata do homem-tigre e recuperado seus equipamentos, mas trouxera consigo perguntas muito maiores do que aquelas com que saíra da taverna.
Estado ao final da sessão
- Homem-tigre: foi estabilizado temporariamente duas vezes por Noah e atravessou um portal de Euclix para uma cidade do continente de Kaer Morhen. A maldição não foi curada; seu destino depois da passagem é desconhecido.
- Geralt: continua ligado a uma promessa não cumprida de Dandelion. A possibilidade de ele conhecer uma solução para a maldição foi indicada pelo visitante, mas não verificada.
- Screaky: regressou a Euclix, encaminhou a escolha de um antigo líder da resistência como substituto no governo durante suas ausências e recuperou suas faixas restauradas, que agora parecem responder a ela e guardar seus ensinamentos.
- Noah: recebeu dois tomos de magia planar do mago e autorização para levar livros da biblioteca reservada de Euclix. Não encontrou ainda uma explicação convincente para as anomalias ou para a corrupção da floresta.
- Astel: recuperou sua foice restaurada, capaz de reaparecer em sua mão e manifestar penas e asas de corvo. O grupo também se comunicou com uma versão aparentemente posterior de Astel que já estava no Bastion.
- Dandelion: continua com os três goblins, capazes de assumir a forma de pequenas esferas. Sua promessa pendente com Geralt voltou à atenção do grupo.
- Forja: a ferreira concluiu o trabalho, deixou uma carta e desapareceu do local. A aparente passagem prolongada de tempo na forja não foi explicada.
- Magia planar: os tomos contêm fórmulas que nem Noah nem o mago compreenderam plenamente. Um descendente do mago atribuiu a criação dessa magia a Poppe.
- Anomalia temporal: a comunicação com Astel, o envelhecimento da cidade e as muitas gerações transcorridas na família do mago sugerem uma alteração significativa na experiência do tempo, mas o mecanismo não foi identificado.
- Próximos deslocamentos: Astel, Allya e Dandelion acompanharão Marta, Tobias e a salamandra até a região da antiga companhia de mercenários; Screaky e Noah seguirão para o Bastion. Essas viagens ainda não aconteceram em cena.
- Questões anteriores: a corrupção da floresta, o Jardineiro e as pistas envolvendo Leonard e a guilda de Raphael permanecem sem resolução nesta sessão.
Ganchos para a próxima sessão
A magia de Poppe
- Por que um livro entregue por um antigo mago contém fórmulas atribuídas a Poppe?
- O que os diagramas descrevem que Noah ainda não consegue interpretar?
- As viagens do grupo realmente atravessaram o tempo ou produziram outro tipo de deslocamento?
O outro Astel
- Com quem Allya se comunicou quando ouviu um Astel que já estava no Bastion?
- Por que a comunicação pelas pedras falhou enquanto os grupos estavam separados e funcionou depois do reencontro?
- Como conciliar o relato de Astel com as muitas gerações transcorridas na história da família do mago?
Geralt e o homem-tigre
- O visitante conseguirá chegar a Kaer Morhen seguindo o mapa de Dandelion?
- Geralt realmente conhece uma cura para sua maldição?
- O que acontecerá quando Dandelion precisar enfrentar novamente a promessa que deixou por cumprir?
A ferreira e os equipamentos
- Para onde foi a ferreira depois de concluir o trabalho?
- Por que a forja parecia abandonada havia muito tempo?
- O que as novas propriedades da foice e das faixas ainda podem revelar?
Euclix e as pendências do grupo
- Como o substituto escolhido por Screaky conduzirá Euclix durante sua ausência?
- Será possível voltar à floresta corrompida com preparo suficiente para enfrentar o que ainda existe sob suas raízes?
- Que novas responsabilidades aguardam o grupo quando finalmente regressar ao Bastion?
