As Cabeças que Ainda Falam
Depois do confronto anterior com Odarim e da descoberta de sua torre escondida na floresta, o grupo precisou decidir se continuaria avançando ou se reconheceria que estava entrando em uma situação perigosa demais sem qualquer preparação.
O que começou como uma retirada estratégica terminou em uma revelação perturbadora, um confronto religioso e uma das conversas mais pessoais de Astel sobre a morte, a culpa e o verdadeiro peso de servir à Raven Queen.
Noah desaparece
Durante a passagem pela floresta, Noah assumiu a forma de um pequeno rato e acabou se afastando do grupo.
Preocupada em perder o garoto, Screacky pediu que Alia usasse o olfato para encontrá-lo. Depois de alguma procura, Noah foi localizado escondido, encolhido e claramente abalado.
O garoto acreditava ter decepcionado o grupo. Para ele, sua incapacidade de acompanhar os aventureiros significava que seria expulso da missão e abandonado pelo capitão ou por seu mestre.
Astel tentou tranquilizá-lo. Em vez de culpá-lo, lembrou que Noah havia conseguido fechar um dos portais de Odarim — algo que nem mesmo aventureiros mais experientes necessariamente seriam capazes de fazer.
“As coisas vêm aos poucos.”
O momento revelou que Noah não estava apenas com medo da torre. Ele estava com medo de ser considerado inútil.
A decisão de abandonar a torre
Astel chamou Screacky para conversar em particular.
Embora acreditasse que o grupo talvez tivesse força suficiente para enfrentar Odarim, Astel reconheceu que estavam avançando sem plano, sem informações e levando consigo alguém que deveriam proteger.
O paladino admitiu que, ao olhar para Noah, enxergava seu próprio filho mais novo. A possibilidade de colocar o garoto em perigo começou a pesar mais do que seu desejo de acertar contas com o mago.
Screacky também não gostava da ideia de deixar um inimigo e uma missão inacabada, mas concordou que entrar naquela torre naquele momento seria imprudente.
A localização foi marcada no mapa para que pudessem retornar depois.
O grupo então mudou os planos e decidiu voltar para a cidade, preparar Noah e buscar uma estratégia melhor antes de enfrentar Odarim.
O retorno com a carruagem
O grupo recuperou a carruagem e as mercadorias que haviam encontrado.
Como a carga permanecia praticamente intacta, decidiram devolver tudo da maneira mais próxima possível de como haviam encontrado. Noah, ainda transformado em rato, seguiu parte do caminho montado sobre Zoro, criando a gloriosa imagem de um gato transportando um rato como passageiro.
No caminho de volta, eles pararam na pequena vila onde haviam passado anteriormente.
Astel foi até a taverna para avisar aos moradores que o problema da região já não se limitava aos animais gigantes. Havia agora algo muito pior escondido na floresta.
Ele explicou que um poderoso conjurador era capaz de abrir portais que separavam completamente as cabeças das vítimas. O mesmo homem já havia atacado o grupo e feito isso com um taverneiro.
Astel indicou aproximadamente onde ficava a torre, mas deixou um aviso claro:
Ninguém deveria se aproximar daquele lugar.
O homem com a sacola
Enquanto Astel transmitia o alerta, um homem que estava na taverna pareceu prestar atenção demais à conversa.
Assim que ouviu a localização da torre, ele deixou o estabelecimento apressadamente e seguiu em direção à floresta.
Astel desconfiou imediatamente.
Ele correu atrás do desconhecido e o confrontou antes que ele deixasse a vila. O homem carregava uma grande sacola e afirmava que precisava encontrar Odarim porque acreditava que o mago poderia “consertar” alguma coisa.
A resposta só aumentou as suspeitas.
Astel desembainhou a foice e exigiu que o homem provasse não ser aliado do assassino. O desconhecido, por sua vez, apontou que Astel era o único dos dois segurando uma arma e exigindo provas de inocência.
O encontro quase terminou em violência.
Um plano desnecessariamente complicado
Enquanto o homem se afastava, Astel, Screacky e Noah discutiram como descobrir o que havia dentro da sacola.
Surgiram ideias envolvendo invisibilidade, escuridão, transformação em animais, criaturas gigantes, distrações e roubo. Um plano tão elaborado que provavelmente acabaria com metade da floresta em chamas e ninguém lembrando por que começaram.
Noah, entretanto, insistiu para que ninguém machucasse o desconhecido antes de saberem se ele realmente era uma ameaça.
O garoto até se ofereceu para ajudar com suas magias, mas pediu que qualquer estratégia fosse realizada sem violência.
No fim, Astel guardou a foice e escolheu uma ferramenta raríssima entre aventureiros: conversar direito.
A verdade dentro do saco
Astel alcançou novamente o homem e pediu desculpas pela abordagem agressiva.
Ele explicou que sua preocupação era proteger os moradores da região e que precisava entender por que alguém procuraria voluntariamente o responsável por tantas mortes.
O homem finalmente decidiu revelar o conteúdo da sacola.
De dentro dela, retirou uma cabeça humana completamente separada do corpo.
Quando a cabeça foi exposta à luz, seus olhos se abriram e ela começou a falar.
O homem rapidamente tentou acalmá-la e depois a colocou novamente dentro da sacola. No escuro, ela voltava a ficar imóvel. Na presença de luz, recuperava a consciência e conseguia se comunicar.
A sacola não carregava apenas uma cabeça.
Carregava as cabeças de todo o antigo bando daquele homem.
As vítimas de Odarim
O desconhecido contou que fazia parte de um grupo de criminosos.
Quando encontraram Odarim, o mago usou seus portais para separar as cabeças dos corpos de seus companheiros. Apavorado, o homem se escondeu e foi o único que não sofreu o mesmo destino.
Depois do ataque, ele conseguiu reunir as cabeças espalhadas, mas ainda não havia recuperado os corpos.
Apesar da separação, seus amigos continuavam conscientes quando expostos à luz. Por isso, ele se recusava a considerá-los mortos.
O sobrevivente acreditava que Odarim, sendo responsável pelo encantamento, também poderia desfazê-lo.
Ele questionou o plano dos aventureiros de simplesmente matar o mago:
“Matar ele vai trazer meus amigos de volta?”
Para o sobrevivente, executar Odarim sem antes descobrir como reverter a magia poderia condenar seus companheiros para sempre.
Criminosos, mas ainda uma família
O homem não tentou esconder o próprio passado.
Admitiu que ele e seus companheiros haviam cometido crimes. Mesmo assim, explicou que aquele bando era sua família. Eram as pessoas que o haviam acolhido, protegido e dado a ele um lugar no mundo.
Agora, sentia que tinha a obrigação de protegê-los.
A revelação mudou completamente a situação.
O homem que parecia estar correndo para se aliar a Odarim era, na verdade, alguém desesperado tentando salvar as únicas pessoas que considerava sua família.
As linhas da morte
Durante a conversa, o sobrevivente demonstrou conseguir enxergar algo incomum ao redor de Astel: linhas, marcas ou um “aroma” relacionado à morte.
Ele reconheceu a ligação do paladino com a Raven Queen.
A partir desse momento, a conversa deixou de ser apenas sobre Odarim.
O homem afirmou já ter visto aquela mesma foice e aquelas mesmas linhas antes. Segundo ele, seus irmãos haviam sido mortos por alguém que servia à mesma deusa.
Um deles tinha apenas quatro anos.
Tomado pela revolta, o sobrevivente caiu de joelhos, bateu no chão e questionou por que a Raven Queen permitiria ou ordenaria a morte de uma criança.
“Meu irmão não era uma ameaça. Ele tinha quatro anos!”
Astel diante da acusação
Astel tentou descobrir onde e quando aquela tragédia havia ocorrido.
Ele explicou que não atacava pessoas inocentes por escolha própria e que não sentia prazer em tirar vidas. Também deixou claro que não poderia ser responsabilizado diretamente por todos que já haviam agido em nome da Raven Queen.
Mesmo assim, o homem não estava acusando apenas Astel.
Estava acusando tudo o que ele representava.
Para o sobrevivente, não importava se uma execução era chamada de trabalho, destino ou vontade divina. No final, alguém ainda perdia uma pessoa amada.
Astel respondeu que receber os poderes da Raven Queen era ao mesmo tempo um dom e uma maldição.
Ele afirmou se lembrar de cada pessoa que precisou ceifar e carregar todas essas mortes consigo. Sua função não lhe trazia prazer, mas culpa. Ainda assim, acreditava que, caso ele se recusasse, outro mensageiro poderia cumprir a tarefa com crueldade e sede de sangue.
Por isso, Astel preferia assumir esse peso e realizar seu dever com o máximo de humanidade possível.
“Você acha que eu gosto do meu trabalho?”
Fé, culpa e desespero
A discussão se transformou em um confronto entre duas pessoas feridas pela morte.
O sobrevivente havia perdido os irmãos e deixado de confiar na deusa.
Astel havia perdido a própria família, mas continuava acreditando que a Raven Queen possuía um propósito, mesmo quando esse propósito era impossível de compreender.
Nenhum dos dois conseguiu convencer completamente o outro.
Astel, porém, percebeu que o homem estava machucado depois de golpear o chão. Ele se aproximou, tocou sua mão ferida e utilizou seus poderes para curá-lo.
Depois, pediu que ele não se jogasse desesperadamente contra Odarim.
Segundo Astel, as linhas da morte dos companheiros ainda permaneciam intactas. Isso poderia significar que eles ainda não estavam destinados a morrer e que a separação entre corpo e cabeça poderia ser revertida.
“Ainda não é a hora deles.”
Uma promessa limitada
Astel não prometeu derrotar Odarim imediatamente nem garantiu que conseguiria restaurar os companheiros do sobrevivente.
Havia problemas demais acontecendo ao mesmo tempo, e o grupo ainda não possuía força ou conhecimento suficiente para resolver tudo.
Mesmo assim, Astel garantiu que desejavam ajudar.
Ele pediu apenas que o homem não sacrificasse a própria vida tentando enfrentar o mago sozinho.
Ainda chorando, o sobrevivente se sentou próximo a uma árvore, abraçando os joelhos e segurando a sacola com as cabeças de seus companheiros.
Astel retornou ao grupo visivelmente abalado.
A próxima decisão
Depois de tudo que descobriram, Astel perguntou se deveriam voltar até o local do ataque e recuperar os corpos sem cabeça.
Reunir corpos e cabeças não garantiria que a magia seria desfeita, mas impediria que fossem perdidos, destruídos ou encontrados por criaturas da floresta.
Além disso, seria o primeiro gesto concreto para ajudar o sobrevivente.
A sessão terminou com o grupo considerando retornar ao território de Odarim para buscar os corpos e reuni-los às cabeças ainda conscientes.
Principais revelações
- Noah teme ser considerado inútil e expulso do grupo.
- Astel e Screacky decidiram não invadir a torre sem planejamento.
- Odarim consegue separar cabeças e corpos por meio de portais.
- As vítimas permanecem conscientes quando suas cabeças são expostas à luz.
- No escuro, as cabeças ficam imóveis e aparentemente inconscientes.
- O sobrevivente acredita que Odarim pode reverter sua própria magia.
- O homem e seus companheiros eram criminosos, mas formavam uma família.
- O sobrevivente consegue perceber as marcas ou linhas da morte em Astel.
- Um antigo servo da Raven Queen teria matado os irmãos do sobrevivente.
- Um desses irmãos tinha apenas quatro anos.
- Astel considera seu dever para com a Raven Queen um peso marcado por culpa.
- As linhas da morte dos companheiros continuam intactas, sugerindo que eles ainda podem ser salvos.
Personagens em destaque
Astel
Foi o centro emocional da sessão. Começou agindo com suspeita e agressividade, mas recuou, escolheu o diálogo e acabou revelando como enxerga sua missão como paladino da Raven Queen.
A acusação envolvendo a morte de uma criança atingiu diretamente sua fé e sua culpa.
Screacky
Apoiou a decisão de abandonar a invasão da torre e ajudou a considerar formas de investigar o desconhecido sem iniciar um confronto aberto.
Também permaneceu atenta à segurança de Noah e do restante do grupo.
Noah
Mostrou insegurança e medo de ser abandonado, mas também foi a principal voz contra o uso imediato de violência.
Mesmo se considerando fraco, foi ele quem lembrou aos adultos que ainda não sabiam se o desconhecido era realmente um inimigo.
Alia
Foi responsável por localizar Noah quando ele se afastou em forma de rato e permaneceu próxima dele durante seu momento de insegurança.
O sobrevivente
Último integrante intacto de um bando atacado por Odarim. Carrega as cabeças conscientes de seus companheiros e está disposto a arriscar a própria vida para restaurá-los.
Gancho para a próxima sessão
O grupo pretende retornar ao local do ataque para recuperar os corpos sem cabeça e levá-los até o sobrevivente.
Enquanto isso, a torre de Odarim continua escondida na floresta — marcada no mapa, cercada de vítimas e esperando por uma segunda visita.
Desta vez, pelo menos em teoria, com um plano.
